Eu queria parafrasear pra mim nessa noite todas as coisas bonitas que eu já li. Talvez contar alguns números pra poder me sentir inteiro. É novo esse estado diferente, um controle desgovernado, uma causa sem bandeiras por conta de uma saudade. Incompreensível e verdadeiro, tudo que nunca quis ter vivido antes. Um instante errado, um minuto de silêncio e o resto da vida distante.
Eu queria olhar nas nuvens e ver flores. Um céu que sorrisse pra mim de rosas vermelhas e que nunca chovessem as brancas. Eu quis uma eternidade já finda. Sonhei junto por um mundo melhor, chorei junto por dias mais quentes. Nada do que eu disse foi sincero, nada do que fiz inesperado. Morremos no tempo calculado, sozinho como em praia de verão, ardente e queiamando por dentro.
Eu queria um vazio sonorizado, que ecoasse pelas formas de amor. Eu vivi tudo um pouco meio errado. Desejos acabados, sonhos em vão, vidas de fraude. Tempos passados, encontros atrasados. Um quebra-cabeça previsivelmente desmontado.
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