12 fevereiro, 2010

pra fora

Esses dias parei de escrever. Nada do que vivia parecia ser digno de palavras escritas. É, parei de escrever. Um dia ou outro sentava na frente do computador com ideias mirabolantes, sonhos inesperados e histórias fantasticas de mundos que não o meu. Batia umas duas ou três teclas, nada muito maior que isso e ali parava. Era como se fosse uma mentira, não era eu. Não era meu. Tentar colocar pra fora o que não quer sair, no meu caso, é impossível.
Um dia li em algum lugar que a gente escreve pra externar o que é maior do que o espaço que reservamos dentro de nós. E é verdade. Nada era maior naquele instante, nada estava sobresaltando o espaço que havia dentro de mim. Era tímido o que outrora fora grande e a verdade é que não saia. Não tinha o que sair.
Só que esses dias, os últimas dias, parece que alguma coisa cresceu. Surgiu e ocupou um espaço doado a nada, a ninguém. E comecou a inquietude, quando naturalmente mais do que duas ou três teclas foram saindo na tela, mesmo que depois apagadas inicialmente, mas elas saiam. E tudo o que não parecia ser digno antes, ganhou cor, letra e até movimento. Eram rápidas as palavras num pensamento incessante. Escrevi algumas cartas, algumas frases, algumas músicas.
Foi quando num belo dia desses, a vida acordou mais viva. Tentava parar e não conseguia. Eu precisava colocar pra fora. Estava imenso, não cabia. Precisava acomodar em algumas letras, numa folha qualquer aquilo pulsando dentro de mim. E ordinariamente voltei a escrever. Eu sorria sem nem saber porque, corria sem poder andar, sonhava mesmo sem dormir. O meu mundo voltou a existir, e um mundo cheio de letras para o acompanhar.

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