Em algum lugar perdido no mapa viveu Pedro. Ambicioso por uma vida recheada do que ele sempre sonhou. Enquanto levava seu tedioso e interrupto cotidiano de aluno de uma escola de sociedade qualquer, esse ainda menino vivia a sonhar com a liberdade, com algo especial, um mundo, seu mundo.
Para muitos era demais, para poucos um exagero, mas para ele era na medida certa. Ele desejava poucos amigos, uma casa e carro próprios e sua família sempre presente, chorava pela família presente.
Como muitos outros garotos que vivem em algum lugar perdido no mapa, Pedro terminou a sua escola e seguiu com a vida. Descobriu aos poucos que nada do que fora aprendido servia para viver, refez suas escolas e comprou novos diplomas. Tudo muito rápído, ele não podia ficar para trás, já era velho para esperar. Velhice que incomodava muito a ele, pois embora durante toda escola estivesse sempre metido com outras idades, o menino não queria crescer.
E cresceu.
Mais velho estava ele perdido em algum lugar do mapa. Não tinha nada de especial, como ele um dia sonhou, nem se quer tinha ciência de que existia para ele, ali, um mundo. Era mais velho e via-se infantil, tinha liberdade e sentia-se preso. Ele usava óculos, mas negava-se a enxergar o futuro.
Em algum lugar do mapa, em que Pedro andou, ele esqueceu de carregar consigo o que ele quisera ser. Perdeu-se em qualquer uma dessas esquinas seus sonhos, seus planos, seu mundo e sua juventude. Carregou consigo a dúvida e angústia de não saber se localizar no mapa.
Envelhece todo dia, Pedro, mas não morre. Nem vai morrer. Ele é velho demais para infinda juventude não vivida e jovem demais para descobrir que na velhice é quando se é jovem. A impressão que me dá, é a de que Pedro tem uma dessas doenças sem cura: a eterna saudade do que ele nunca foi.
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