Há quem diga que as pessoas não olham para baixo ou para o alto em seu dia a dia. Eu devo ser o oposto disso tudo. Estou sempre olhando para cima ao longo do dia. Tá certo que sou baixinho, mas eu não nego desfrutar do visual da lua, de um céu ao meio dia ou mesmo dos vidros espelhados dos arranhas-céu. Eu gosto de olhar para o alto e não me sentir pequenino, mas ter a sensação da vastidão que está a minha espera.
O mesmo acontece em olhar para baixo. Isso eu posso afirmar, que a maior parte das pessoas não olham para o chão ou para os pés dos outros. Eu por minha estranha vez, olho sempre aos sapatos de quem passa por mim. Gosto de sapatos. Olhar para eles ainda me dá a possibilidade em descobrir o que vai pelo meu caminho. Os ladrilhos, as tampas de bueiros das cidades, as faixas tinturadas das metrópoles, as folhas caídas de outono ou mesmo as marcas de um registro qualquer deixadas ali no meio da rua como uma prova de amor.
E nada disso é menos interessante do que o olhar usual, o olhar para frente. Mas é que além do teu campo visual em estado de descanso você tem o céu e o chão, e com um diferencial, esses dois te dão a exata dimensão das possibilidades e do limite. Se desço os meus olhos, dali eu não passo, mas se me volto para o alto, existe um mundo inteiro ao meu redor.
Essa dicotomia que me faz gostar de sapatos, deve ser o mesmo motivo pelo qual eu adoraria voar.
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