Eu podia contar os segundos sem saber poque faço isso. Eu sempre soube poder ser um ativista sem causa. Acreditar por horas lembrar de alguém que eu nem conheço, ou mesmo esperar por dias um desejo desconhecido. Já lutei uma vida inteira por conquistas acabadas e recorrente é acordar todo dia acreditando ser quem eu nunca fui.
Eu vivo num mistério de desencontros. Eu sou segredo sem grandes revelações. Um livro nunca aberto com páginas marcadas, destinado a nunca lerem a versão original. Eu penso o existir todos os dias e recaio na única certeza de não ser nada. As vezes também insisto em enxergar beleza na vida ou relutar ver o que tanto há de errado nela.
A grande questão é não haver tantos altos e baixos assim, é tudo morno. A vida passa por mim e deixa muitas marcas, quanto a mim por exemplo, tenho só a impressão de nada marcar com ela. Surpreendente e não inesperado. Eu tô quase sempre em conflito comigo.
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